Apagão na Espanha e Portugal: Causas e Consequências
O apagão que afetou grandes cidades da Espanha e Portugal na segunda-feira (28) foi causado por um fenômeno atmosférico raro que gerou oscilações nas linhas de alta tensão. As autoridades descartaram a possibilidade de um ataque cibernético, mas o Conselho de Segurança Nacional da Espanha está investigando o incidente.
O recente apagão que afetou a Espanha e Portugal, além de partes do sudoeste da França, levantou questões sobre suas causas e possíveis consequências. Governos e operadores de rede estão investigando o fenômeno raro que levou à interrupção, enquanto descartam a hipótese de um ataque cibernético. Entenda o que ocorreu e como isso impacta a região.
O que aconteceu durante o apagão?
Na última segunda-feira, um apagão significativo afetou a Espanha, Portugal e partes do sudoeste da França.
Grandes cidades como Madrid, Barcelona e Lisboa foram duramente atingidas, com interrupções que impactaram residências, escritórios, trens, semáforos e até eventos esportivos, como o torneio de tênis Madrid Open.
A magnitude do apagão gerou caos para milhões de pessoas, levando governos e operadores de rede a agirem rapidamente para compreender o problema e buscar soluções.
A Red Eléctrica de España (REE), responsável pela rede elétrica espanhola, relatou que o apagão, chamado de “el cero”, começou por volta das 11h33 no horário de verão da Europa Ocidental.
A recuperação da energia foi um processo gradual, a fim de evitar a sobrecarga de partes da rede à medida que cada gerador era reconectado.
Endesa e Iberdrola, duas das maiores empresas de energia da Espanha, trabalharam em conjunto com a REE para seguir os protocolos estabelecidos e restaurar a energia o mais rápido possível.
Causas do apagão na Península Ibérica
O apagão que atingiu a Península Ibérica teve origem em um fenômeno atmosférico raro, conforme relatado pela Redes Energéticas Nacionais (REN) de Portugal.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, apontou que o problema começou na Espanha, onde variações extremas de temperatura causaram oscilações anômalas nas linhas de alta tensão de 400 kV.
Essas oscilações, conhecidas como “vibração atmosférica induzida”, resultaram em falhas de sincronização entre os sistemas elétricos, levando a distúrbios sucessivos na rede europeia interconectada.
A REN explicou que a variação de temperatura altera ligeiramente os parâmetros dos condutores, criando um desequilíbrio na frequência.
Georg Zachmann, do think tank Bruegel, destacou que o sistema sofreu desconexões em cascata de usinas de energia, incluindo uma na França, quando a frequência da rede caiu abaixo do padrão europeu de 50Hz.
Embora os riscos de grandes variações de temperatura sejam conhecidos na indústria, raramente problemas dessa magnitude ocorrem.
Possibilidade de ataque cibernético
A possibilidade de um ataque cibernético como causa do apagão na Península Ibérica foi considerada, mas rapidamente descartada por autoridades.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que não há evidências de que o apagão tenha sido resultado de um ataque cibernético. Teresa Ribera, vice-presidente da Comissão Europeia, também reforçou que não há indícios de um ato deliberado.
No entanto, o Conselho de Segurança Nacional da Espanha se reuniu para avaliar a situação, enquanto o primeiro-ministro de Portugal alertava que ainda era cedo para determinar a causa exata do apagão.
Apesar das investigações em andamento, a hipótese de um ataque cibernético foi praticamente eliminada como causa principal da interrupção.
Fonte: The Guardian



