Brasil avalia limitar por empresa exportação de carne bovina para a China
O Brasil está considerando limitar por empresa exportação de carne bovina para a China devido a novas cotas que estabelecem um teto de 1,1 milhão de toneladas. O Ministério da Agricultura sugere um sistema de controle para garantir uma competição justa entre os frigoríficos.
O Brasil discute a possibilidade de limitar a exportação de carne bovina para a China, em resposta às novas cotas impostas por Pequim, antecipou a Folha de S.Paulo e o g1. Essa medida visa evitar uma competição desigual entre os frigoríficos brasileiros, garantindo uma distribuição mais justa das oportunidades de exportação.
Cotas chinesas nas exportações brasileiras
As cotas impostas pela China sobre a importação de carne bovina brasileira têm gerado preocupação entre os exportadores.
Com um limite de 1,1 milhão de toneladas para o ano de 2026, qualquer volume que exceda essa quantidade estará sujeito a uma tarifa adicional de 55%.
Isso representa um desafio significativo para os frigoríficos brasileiros, que precisam ajustar suas estratégias para evitar custos adicionais.
O impacto imediato dessas cotas é uma potencial “corrida” entre as empresas para exportar o máximo possível dentro do limite estabelecido.
Essa situação pode criar uma competição desigual, onde frigoríficos maiores ou mais bem estabelecidos possam ter vantagens sobre os menores.
Além disso, a incerteza em relação à redistribuição de cotas não utilizadas por outros países adiciona uma camada de complexidade ao cenário.
Economistas alertam que, embora a China continue sendo o principal destino da carne bovina brasileira, as cotas podem afetar o volume total exportado e, consequentemente, a receita gerada.
Em janeiro, mesmo com as restrições, a China foi responsável por 46% do valor e do volume exportado, destacando a importância desse mercado para o Brasil. Assim, as empresas precisam se adaptar rapidamente para mitigar os riscos associados a essas novas regras.
Propostas do Ministério para controlar exportações
Para lidar com as novas cotas impostas pela China, o Ministério da Agricultura propôs um sistema de controle que visa equilibrar as exportações de carne bovina entre os frigoríficos brasileiros.
Uma das principais ideias é a distribuição proporcional das cotas com base na performance recente de exportação de cada empresa.
Isso significa que os frigoríficos que historicamente exportaram mais para a China teriam direito a uma fatia maior do limite estabelecido.
Além disso, o Ministério sugere a criação de uma reserva técnica para novos e pequenos exportadores, garantindo que eles tenham a oportunidade de participar do mercado chinês.
Esse mecanismo busca promover a inclusão e evitar que apenas os grandes players se beneficiem das cotas disponíveis.
Outro ponto importante da proposta é a implementação de um sistema de licenças de exportação, que incluiria travas automáticas para impedir que qualquer empresa exporte além do volume permitido.
Essa medida visa garantir que as regras sejam seguidas e que todos os exportadores tenham uma chance justa de acessar o mercado chinês.
Apesar das discussões em andamento, o tema ainda não foi concluído e depende de análises jurídicas e normativas para sua implementação.
O governo brasileiro também está em diálogo com autoridades chinesas para explorar a possibilidade de redistribuir cotas não utilizadas por outros países, o que poderia aumentar as oportunidades para os exportadores brasileiros.



